Como os Drones e a IA Estão Redefinindo os Grandes Eventos Garantindo os Direitos Fundamentais Dos Animais
Camila Prado dos Santos
Mestra em Direito. Especialista em Direito Animal. Advogada Animalista.
Emi Parente
Fundadora do PATAE (Programa Alice Terapia Educacional), Especialista em Intervenções Assistidas por Cães (EUA) e Behaviorismo (Oxford).
Mundialmente, vem ocorrendo uma revolução tecnológica silenciosa de luz, encantamento e respeito nos grandes eventos que antes eram somente de explosões e luzes. Essa transição tecnológica já vem ocorrendo na China, Japão, Tailândia e cidades como Las Vegas e, neste ano de 2026, aterrissou, ainda que timidamente, no Brasil, sendo uma declaração de que o futuro do entretenimento será mais empático e inclusivo.
A transição da utilização de fogos de artifício por drones é uma decisão humanitária, mostrando que é possível a substituição do barulho excessivo ocasionado por explosões pirotécnicas tradicionais por um encantamento de imagens projetadas, de forma a maravilhar o mundo e não causar dor em pessoas com hipersensibilidade auditiva, idosos, recém-nascidos e animais. A criatividade toma conta do mundo, sendo o céu transformado em uma tela digital de alta definição, tornando o mundo mais inclusivo.
Essa revolução tecnológica leva em consideração a senciência animal, tendo em vista que os animais são capazes de sentir emoções como medo, angústia e agonia. O que antes era considerado para os animais como cenário de guerra, em razão do barulho estrondoso dos fogos de artifício, passa a ser um momento de inclusão e fraternidade.
A utilização de drones é de suma relevância para a diminuição do quantitativo de animais que fogem desesperados em razão do barulho, atropelamentos e paradas cardíacas causadas pelo terror dos estampidos. E por isso, a celebração com drones em grandes eventos é um dever ético, sendo garantido o brilho no céu e respeitado o direito fundamental dos animais ao sossego e à integridade.
Estudos em etologia e neurociência animal demonstram que até 50% dos cães apresentam medo ou fobia de ruídos intensos, com elevação significativa de cortisol, taquicardia, desorientação e comportamentos de fuga. Em animais silvestres, há registros de deslocamentos em massa, abandono de ninhos e mortalidade indireta após eventos com explosões sonoras.
Esse impacto ultrapassa os animais e atinge diretamente as famílias multiespécies e famílias atípicas, especialmente aquelas com pessoas autistas, idosos e indivíduos com hipersensibilidade sensorial, para quem o ruído intenso pode gerar crises, ansiedade aguda e exclusão social. O resultado é a restrição do direito ao lazer, à cidade e à participação em grandes eventos.
Vale destacar que, de forma inédita, no Rio de Janeiro, o DJ brasileiro Alok já demonstrou, em Copacabana e em outros grandes festivais, como os drones podem elevar o patamar do show business. Com projeções tridimensionais que parecem flutuar sobre o público, ele provou ser possível criar um impacto visual muito superior aos fogos tradicionais, sendo transmitida uma mensagem de paz e emocionando a todos os brasileiros. Um novo tempo já começou: sem barulho, com emoção, luz, inteligência e empatia por todos os seres vivos.
Ademais, se os drones são os “olhos” e as “luzes” dessa revolução, a Inteligência Artificial é o “cérebro” que permite uma defesa jurídica e social dos animais sem precedentes. A IA colabora para a realização do monitoramento e prevenção em tempo real, através de sensores acústicos, além de utilizar algoritmos para mapear zonas de maior incidência de estresse animal durante festividades de grandes eventos.
A Inteligência Artificial vem auxiliando os governos no planejamento de espetáculos tendo como base a senciência animal, tendo em vista que a simulação de um evento, antes mesmo de acontecer, colabora para a realização de ajustes na trajetória de drones e na intensidade das luzes, para que o evento não venha a interferir nas rotas migratórias de aves ou no bem-estar de animais.
As tecnologias adotadas buscam respeitar a diversidade e o bem-estar dos seres sencientes, conscientizando mundialmente sobre a necessidade de fontes alternativas para o sucesso dos grandes eventos em prol da fraternidade, sendo o futuro do entretenimento silencioso, falando o brilho da inovação por si só. A inovação surge como solução concreta: festivais sem fogos sonoros, com tecnologia visual, drones, lasers e efeitos digitais já demonstram aumento de adesão do público, ampliação de patrocínios e fortalecimento de marcas alinhadas ao ESG, inclusão e saúde mental. Cidades e eventos que adotam esse modelo registram maior permanência do público, melhor reputação institucional e crescimento econômico sustentável.
Nesse cenário, a Indústria 3.0 exerce papel central como força de influência financeira e cultural, usando tecnologia, dados e criatividade para transformar tradição em experiência inclusiva, escalável e lucrativa. Na medida em que há mais conhecimento, gera-se mais conscientização, que por sua vez gera mais inclusão, mais público e mais lucro, provando que a inovação ética não reduz o impacto econômico; ela o expande.
Ao adotar celebrações sem fogos sonoros, como a China e o Japão, por exemplo, diversos outros lugares podem se tornar símbolos internacionais de inclusão, saúde mental, reconhecimento da senciência animal e apoio efetivo à comunidade autista, mostrando que tradição e inovação caminham juntas.
Desta forma, ser pioneiro não é abrir mão do espetáculo, é evoluir o significado da celebração, ampliando o acesso, protegendo vidas humanas e não humanas e fortalecendo o vínculo entre cidade, ciência e sensibilidade, onde o progresso é medido não apenas pelo brilho no céu, mas pelo impacto positivo na sociedade.
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